Raimundo Carrero |
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Uma verdadeira tempestade de lugares-comuns |
| Escrito por Raimundo Carrero | |||
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Flaubert já se preocupava muito com os lugares-comuns e as frases feitas dos escritores. Chegou a escrever um dicionário enumerando as frases repetidas à exaustão pelos franceses. Entre nós, Fernando Sabino fez o mesmo. Ainda assim, sob a alegação de que escrever é um dom, mas um dom que não precisa ser aperfeiçoado, continuamos a escrever frases que, em outras circunstâncias, seriam completamente abandonadas. Senão vejamos:
1 - Tenho uma ideia na cabeça
2 - O craque jogou muito bem enquanto esteve em campo
3 - Depois da solenidade foi servido coquetel aos presentes
4 - Atirou no amigo
5 - Está correndo atrás do prejuízo
6 - A chuva que caiu ontem
7 - Mulher, via de regra, é romântica
8 - Numa manhã ensolarada
9 - A mulher caiu nos braços do marido
10 - Astro rei... lábios vermelhos... lua de prata
11 - Premido pelas circunstâncias Este é apenas um exemplo muito rápido daquilo que encontramos em alguns livros, em alguns textos que causam surpresa. É preciso estar atento, todo cuidado é pouco para que você não aceite esse tipo de inspiração. Com certeza, não é inspiração, mas cópia do muito medíocre que vai se repetindo, repetindo, e formando a má literatura que contamina muitos escritores, sobretudo os iniciantes. Expressões como essas não passam numa oficina de criação literária, porque o professor estará sempre atento. O trabalho não acaba aí. Muita coisa ainda precisa ser dita...
12 - O profeta foi acompanhado por umA grande multidão
13 - Aonde você está?
14 - em vida, O escritor publicou apenas um livro...
É assim que as oficinas procuram desenvolver o processo criativo, ao lado dos estudos de técnicas dos autores mais sofisticados e imprescindíveis. Por isso é fundamental a presença de um professor com grande experiência na arte de escrever romances, novelas e contos, isto é, com experiência de fazer, de montar e remontar histórias, desde as mais simples às mais complexas.
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