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Augusto de Campos: 40 anos do Viva Vaia, 70 anos de atividade poética e sua atuação artística e política no Instagram. E mais: a poética de resíduos de Carolina de Jesus, o cosmopolitismo paraense de Age de Carvalho, uma leitura da modernista Ercília Nogueira Cobra, as obras completas de Bioy Casares

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Augusto de Campos discute sua própria poesia (pelo Sesc SP)

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José Castello

Everardo Norões

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“Um escritor chamado Tiago Novaes que eu não me correspondo e de quem jamais ouvi falar me enviou uma estranha reportagem (???) sobre sua viagem à Tailândia. Fiquei surpreendido com a maturidade da escrita e o inesperado desse ‘Sião’ surgido nas esquinas da previsibilidade atual.” A mensagem, em forma de alerta, do escritor Fernando Monteiro sobre o romance Os amantes da fronteira terminava com o seguinte detalhe irresistível: “Ele (Tiago) não aborda nada daquilo que você espera que ele aborde”. E talvez seja justamente isso o que procuramos numa obra literária de verdade: que o autor não aborde nada do que esperamos. Literatura é calabouço, é passo em falso.
 
E convenhamos: não há como negar uma indicação de Monteiro, justamente um dos autores brasileiros mais inovadores, um homem em constante guerrilha contra o tédio e contra as cartas marcadas do mercado literário. O seu breve comentário sobre o livro de Novaes traz o melhor comentário crítico que o livro poderia ter, ao tratar uma obra que justamente se define como romance, como ficção, como “reportagem” e com direito a parênteses com interrogativas. Essa sua perspectiva faz ainda mais sentido ao lembrarmos que Amantes da fronteira é construído como uma “ficção de viagem”.
 
Ora, todo relato de viagem, no fundo, acaba constituindo uma espécie de reportagem, e reportagens são construções que têm a frágil convicção de estar levando o leitor para um terreno seguro. Concreto e objetivo. E nada mais artificial do que a objetividade. A reportagem de si mesmo que Tiago constrói parte da necessidade de um homem, após uma desilusão amorosa, de erguer uma realidade artificial ao seu redor: viaja para a Tailândia, país do qual ele pouco sabe, em busca de algum tipo reconstrução em meio ao caos. “E viajar, por que não, me devolveria à eclosão daquele tempo, onde tudo ainda estava por revelar. A aurora dos signos que eram apenas figuras germinais, as cores frescas no céu que anunciam um dia que nunca chega, uma sede preservada”, explica (?) o narrador, nos lembrando que estamos de certa forma numa boneca russa de ficções, ou seja: uma ficção (a novela) dentro de outra (a viagem).
 
A obra de Novaes faz parte da coleção Pequenos exílios. “Queríamos criar uma coleção de autores brasileiros sobre a viagem, o exílio, migrações, o contato com o estrangeiro. A ideia é que os autores tivessem morado fora, e pudessem falar da experiência de uma perspectiva mais radical, afastando-se de impressões meramente futurísticas”, explica o autor em conversa por e-mail. A ideia de uma coleção sobre obras de viagem não parece das melhores, sobretudo após o naufrágio da série Amores expressos, da Companhia das Letras, série na qual os escritores precisavam criar uma história de amor após viverem um mês em outra cidade. No entanto, a Pequenos exílios vai pelo caminho oposto: o viver é prévio à ficção, a escrita da viagem é refém do que aconteceu ou deixou de acontecer. E é assim que as melhores ficções são construídas, aquelas que, como no livro de Novaes, “não abordam nada daquilo que você espera que elas abordem”.