cecilia meireles nov17

 

Cecília Meireles (1901-1964) nasceu em um 7 de novembro. Foi jornalista, feminista e é uma das poetas centrais da nossa literatura. Dispensa apresentações mais elaboradas. Para marcar a data, convidamos o poeta Antonio Carlos Secchin, um leitor de Cecília, para indicar um roteiro introdutório à poesia dela.

 

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Viagem (1939) – Depois de alguns livros neosssimbolistas renegados pela autora, Cecilia Meireles, aos 37 anos, “renasceu” com Viagem. A obra ganhou o Prêmio de Poesia da ABL, após grande celeuma interna opondo o poeta Cassiano Ricardo (a favor do livro) ao obstetra Fernando Magalhães, e contém alguns dos mais conhecidos títulos da escritora, a começar por Motivo: Eu canto porque o instante existe/ e a minha vida está completa./ Não sou alegre nem sou triste:/ sou poeta.

 

Romanceiro da Inconfidência (1953) – Livro que demandou extensa pesquisa histórica, e que, em seu gênero híbrido, na mescla de textos líricos, narrativos e dramáticos, é das maiores realizações da poesia brasileira do século XX. Centrado nos acontecimentos da Conjuração Mineira, alça-se ao patamar de desencantada reflexão acerca da cobiça, do poder, da glória e de outras ambições humanas.

 

Ou isto ou aquilo (1964) – Publicado no ano da morte da autora, representa o reencontro de Cecília com o universo infantil, que ela cultivara nos primórdios de sua produção. A obra, extremamente lúdica e isenta do veio normativo que até então caracterizava a literatura para crianças, estabeleceu um novo paradigma e acabaria inspirando autores como Vinícius de Morais e José Paulo Paes.

Parodiando o título da publicação de 1964, e considerando a homogeneidade, o alto nível de sua produção a partir de Viagem, poderíamos responder a quem nos pedisse sugestão de qual livro  de Cecília ler: “Ou este ou aquele”.

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