thomas pynchon

 

Em junho, será lançado no Brasil O último grito (Bleeding edge), romance mais recente de Thomas Pynchon, em tradução de Paulo Henriques Britto pela Companhia das Letras. 

Um dos autores mais influentes da literatura norte-americana, Pynchon é conhecido por ter leitores verdadeiramente devotos à leitura e interpretação de seus oito livros. Esses leitores mantém uma rede internacional de contatos para esmiuçar as múltiplas referências históricas, físicas, matemáticas feitas pelo autor em sua obra. É também conhecido por ser recluso, avesso a aparições ou entrevistas. Na semana passada, ele completou 80 anos.

Pedimos a Priscilla Campos, jornalista e mestranda em teoria literária, um roteiro de partida para entrar no universo de Pynchon.

 

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O leilão do lote 49 (1965)

Fora de catálogo no Brasil, reedição urgente. Em seu segundo romance, Pynchon estabelece o vínculo neurótico entre a sociedade norte-americana e a cultura de massa por meio de Oedipa Maas, uma personagem que se tornou importante para pensar a obra pynchoniana. A Califórnia da década de 1960 é o recorte espacial-cronológico da narrativa. Como ponto de partida, o testamento de seu ex-namorado e a possibilidade de desvendar um complô internacional. Mas atravessa São Francisco atenta ao sistema de signos proposto por Pynchon, uma espécie de ziguezague na cidade pós-moderna, à procura de quem propôs o enigma do Trystero, o alguém que interveio na paisagem e, através dela, pretende reordenar os métodos de percepção do espaço psicossocial, econômico e cultural.

Mason e Dixon (1997)

Romance histórico – Pynchon já havia proposto o gênero em O arco-íris da gravidade (1973) – no qual a trajetória de dois cientistas britânicos pelo continente norte-americano é narrada por um terceiro suposto participante da expedição: o reverendo Cherrycoke. Diversas vozes compõem o texto e o seu ciclo temporal é o século XVIII. O intuito de Charles Mason e Jeremiah Dixon é traçar uma linha que, anos depois, configuraria como a fronteira entre o Norte (moderno) e o Sul (escravagista). Entre as temáticas abordadas no enredo estão questões de alteridade, escravidão, as relações de poder entre a ciência e os processos geográficos de expansão.

O último grito (2013)

Romance mais recente do autor, está na lista dos próximos lançamentos da Companhia das Letras. Deve ser lançado em junho deste ano. A narrativa tem um início, aparentemente, pacato: Maxine Tarnow, na primavera de 2001, leva os seus dois filhos para a escola, antes do trabalho. A partir dessa ação cotidiana, Pynchon apresenta a protagonista que vai guiar uma história na qual o 11 de setembro e as transformações sociais pós-Internet têm papel central. Assim como em O leilão do lote 49, a voz feminina traça o labirinto pynchoniano histérico pós-moderno – sempre preocupado com os limites entre um contexto histórico e as nossas alucinações.

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