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São quatro da tarde e saio caminhando pelas ruas do centro de São Paulo desejando recolher o que resta de uma cidade não vivida que apenas imagino a partir dos livros de Roberto Piva. Num sopro nostálgico, identifico esquinas míticas, bares reformados, prédios, parques, estátuas, mas os dentes da memória rangem bem-afiados e o tempo pesa demais na paisagem. Esse garoto ouvindo pela milésima vez Deu onda, caminhando pela Praça da República, nada se parece com aqueles jovens que perambulavam por ali 60 anos atrás, sempre com um livro de Lorca, Artaud, Ginsberg ou Jorge de Lima nas mãos. Numa última tentativa delirante, me detenho em um detalhe da paisagem: olho para o topo do Edifício Copan, mas ali tampouco estão Polén e Luizinho gozando todo o esperma do universo. O pouco que resta desse delírio nostálgico que nasce da leitura de uma obra talvez possa ser encontrado no meu destino, o segundo andar do número 108 da Avenida São João, na Biblioteca Roberto Piva, onde se encontram hoje reunidos os livros, alguns manuscritos e rastros de uma obra poética importantíssima, no entanto, mais conhecida pelo culto à figura do autor excêntrico que pelo estudo sistemático de seu texto.

Se tentarmos inseri-lo em uma história da poesia brasileira a partir da década de 1960, Piva resiste como uma voz destoante, mas talvez o silenciamento em relação à sua obra e o boicote que tem se propagandeado dentro dessa história precisem ser reavaliados. Quando lemos grande parte da bibliografia sobre o autor, temos a impressão de que sua recepção desde o lançamento de Paranoia foi se delineando como um caso mais ou menos isolado: primeiro, na década de 1960, um silêncio moralizador da crítica concomitante com uma leitura que o filia diretamente ao Surrealismo; depois, na década de 1970, a estranha união entre sua produção e os demais 25 poetas da antologia organizada por Heloisa Buarque de Hollanda; nas décadas seguintes, a “cooptação” de sua poesia pela literatura homoerótica; por fim, a posição que ele ocuparia desde o lançamento de suas Obras reunidas pela Editora Globo, a conquista de um público mais amplo e uma eterna redescoberta.

Sua poesia, entretanto, nunca deixou de ser lida, principalmente nos meios jovens da contracultura. No ensaio publicado na Coleção Ciranda da Poesia, publicado em 2012 pela editora da UERJ, Sergio Cohn explicita a importância da descoberta de Piva em sua própria formação e relata as inúmeras tardes passadas na Biblioteca Mário de Andrade pesquisando referências guiadas pelos livros de Piva e Willer, copiando à mão poemas dos autores que encontrava. Enquanto editor da revista Azougue, Sergio Cohn sempre esteve atento não apenas em publicar os poemas de Piva em diversos números da revista, incitando a formação de novos leitores, como também em abrir espaço ali para a circulação de poetas que conviveram no mesmo período, elegendo suas referências literárias como uma tradição partilhada. Não por acaso, o primeiro volume da Coleção Postal, editada recentemente em parceria entre a Azougue e Cozinha Experimental, é uma antologia da poesia de Piva. Uma coleção por assinatura (que lembra em alguma medida tanto a qualidade como o modo editorial de Massao Ohno), cujo primeiro livro é dedicado à poesia de Piva, não deixa de conter as sementes de um projeto editorial que nasceu na década de 1990 sob o signo dessas leituras.

Quando lemos diversas entrevistas de Piva, notamos muitas expressões repetidas por ele que também se tornaram clichês de sua recepção. Em uma dessas expressões, num tom oscilante entre ressentimento e certo orgulho, ele dizia não ser marginal, mas marginalizado, principalmente por não ter pactuado nem com a universidade, nem com a esquerda militante, estando por muito tempo afastado do centro dos debates mais acalorados de sua época. Como consequência dessa marginalização a que ele teria sido relegado, persiste a ideia de que teria demorado décadas para que houvesse um amplo reconhecimento crítico e editorial de sua obra, que culminou no relançamento da edição de Paranoia pelo Instituto Moreira Salles, em 2000.

Em grande medida, é comum que um escritor marginal mantenha sua marginalidade como uma estratégia de distinção, o que acaba sendo finalmente também uma estratégia de autopromoção pela lógica da inversão de valores. Mesmo essa posição de marginalizado, portanto, talvez pudesse ser matizada hoje em dia, pois me parece serem justamente suas afinidades com a contracultura o que garantiu e garante seu reconhecimento atual no cenário da poesia brasileira.

Sua inclusão em 26 poetas hoje, por exemplo, antologia heterogênea que buscava reunir tanto poetas mais velhos que estavam com livros há muito tempo esgotados, como uma geração mais jovem, em grande medida de poetas cariocas, que investia na circulação de seus escritos através de edições alternativas e de baixo orçamento, parece ter sido de suma importância para a circulação da poesia de Piva entre os leitores desse gênero (além de um novo período de publicações inéditas do autor que se inicia com Abra os olhos & diga Ah!, em 1975). Um outro movimento que parece fundamental colocarmos nessa conta seria a publicação de sua Antologia poética pela editora L&PM, em 1985, de ampla circulação no mercado editorial. Sua recepção, portanto, parece ter sido menos subterrânea do que se propaga, acompanhando o mercado editorial de sua época e formando assim novos leitores de poesia a cada surto editorial. É inegável, entretanto, que o estudo de sua obra no meio universitário realmente seja recente e possivelmente consequência do lançamento das Obras reunidas pela editora Globo.

Quando entro na sala em que estão sendo organizados em diversas estantes os mais de cinco mil livros da biblioteca, vislumbro a importância de manter esse espaço, conservando a unidade do acervo do autor, que propicia uma leitura mais consistente de sua obra. Consultados sobre a tentativa malograda de vender a biblioteca para instituições universitárias, tanto Gustavo Benini, detentor dos direitos e ex-companheiro de Piva, como Gabriel Kolyniak, editor da Córrego – editora encarregada da publicação dos inéditos – e responsável pelo espaço na Avenida São João, chamam a atenção para a burocracia existente e para o risco de diluição da biblioteca do poeta em coleções maiores, acentuando a falta de interesse por parte das universidades em obras sobre xamanismo, candomblé, umbanda e ocultismo, fundamentais para compreendermos a poesia de Piva.

 

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Piva costumava dizer que a poesia é sempre uma expressão xamânica e em diversas entrevistas retomou a definição de Octavio Paz de que a poesia é a perversão do corpo para justificar sua posição. Dos surrealistas, da geração beat, dos clássicos como Dante e Rimbaud, do xamanismo de Mircea Eliade, dos cantos xamânicos dos índios navajos e das diversas outras obras menos ortodoxas que compõem sua biblioteca, talvez o mais importante tenha sido sua capacidade de transmutar todas as suas leituras em experiência vital, para só assim transportá-las ao corpo do poema. Sobre o longo intervalo entre a publicação de Piazzas e Abra os olhos & diga Ah!, 12 anos nos quais ele afirma ter ficado sem escrever poesia, Piva dizia que, como escrever era muito desgastante, se fazia necessário “cair na vida, entre um livro e outro, para recolher experiências, para poder transformar alquimicamente a matéria-prima em pedra filosofal” [nota 1]. Piva também costumava dizer que não acreditava em poeta experimental que não tivesse uma vida experimental. As frases sucessivas, que parecem indicar uma identificação total e transparente entre o sujeito poético e o sujeito empírico, se confrontam com uma poesia em que se faz apresentação (e não representação) do biográfico, na qual há sempre a interferência de um fora (suas experiências literárias e experiências vividas ou imaginadas) na composição do poema. Quando lemos a transmutação de um encontro amoroso singular, imaginado ou vivido por Piva, em Ganimedes 76, por exemplo, nos deparamos com uma reatualização constante da arte do encontro que se dá a cada nova leitura que se faz de seu poema:

Teu sorriso
olhinhos como margaridas negras
meu amor navegando na tarde
batidas de pêssego refletindo em teus olhinhos de fuligem
cabelos ouriçados como um pequeno deus de um salão rococó
força de um corpo frágil como âncoras
gostei de você eu também
amanhã então às 7
amanhã às 7
tudo começa agora num ritual lento & cercados de gardênias de pano
Teu olhar maluco atravessa os relógios as fontes a tarde de São Paulo
Como um desejo espetacular tão dopado de coragem
marfim de teu sorriso nascosto fra orizzonti perduti
assim te quero: anjo ardente no abraço da Paisagem

Escrever parece ter sido a forma privilegiada de sustentar vertiginosamente a singularidade do seu desejo, de dar continuidade infinita ao prazer da experiência de sedução, criando a possibilidade de que o leitor também possa viver de algum modo esse encontro. E sabemos o quanto a literatura de Piva leva a sério o poder da própria literatura. Certamente, em seus poemas, encontramos diversas referências literárias, mas Fernando Pessoa, Mario de Andrade, Dante, Sade, Lautréamont, Rilke, Michaux, entre tantos outros, aparecem menos como marcas de erudição do que como signo de um encontro e de uma autoafirmação. Lidos por Piva, esses autores saem das páginas, transpostos constantemente para a cidade febril, para orgias coletivas e vistos, através de uma erotização de tamanha intensidade, são espelhos de uma imaginação ardente. Basta pensarmos como Mario de Andrade em sua obra, por exemplo, torna-se um personagem maldito e plenamente erotizado, despojado da capa do nacionalismo, perambulando pela noites de São Paulo. Todos os autores, livros e leituras são convocados para atuar de forma anárquica pela cidade.

Uma obra que, como escreve Eliane Robert Moraes no posfácio do segundo volume das Obras reunidas, supõe uma equação bastante complexa na tentativa de sustentar um discurso poético que se volta tanto para as necessidades do coletivo, como para as inúmeras demandas do desejo e para as derivas sem fim da alucinação, é de uma atualidade estonteante. Nessa tentativa de equacionar forças estéticas e existenciais, sua voz poética tão singular se faz resistência contra qualquer sistema de vida baseado na moral, através da transgressão, na escolha das relações homossexuais contra o casal heterossexual, reprodutor e consumidor; do xamanismo e do candomblé contra o catolicismo; das drogas alucinógenas não como alienação, mas como um ritual necessário para se libertar do real cotidiano e opressor. É uma escrita que insiste obsessivamente na subversão das regras morais e estéticas como um modo singular de atravessar o século XX sem envelhecer, ainda que saibamos que o coito anal, ou quaisquer outras formas de transgressão das normas, infelizmente, esteja muito distante de derrubar o capital.

O livro O limite da navalha, de Italo Diblasi, publicado em 2016 pela Garupa, é o mais próximo em que chego a perceber qualquer reverberação de Roberto Piva na poesia que está sendo produzida hoje em dia. O que mais me impressiona nesse primeiro livro de Italo é uma mesma fome de leituras e experiências transmutadas no corpo de seus poemas, alcançando com isso uma dicção singular na poesia que tem sido escrita hoje em dia. Tendo gravado em 2014 um vídeo no qual Italo recita um poema da terceira parte de Ciclones para o “Empreste sua voz para um poeta morto”, projeto de curadoria do poeta Ricardo Domeneck, a referência explícita da leitura da obra de Piva também aparece nesse seu primeiro livro, no único poema dedicado a alguém:

Erosofia
para Roberto Piva, no inferno

Uma lição de amor
para serpentes
ou a peçonha
contra os afetos
higienizados
em paranoia

os infrarrealistas
estão com Blake
em sua Jerusalém
de místicos erotizados:

por Eros contra a caridade
pela diferença contra o uniforme
por Shiva contra a cruz. [nota 2]

Com a inversão da fórmula de contraposições “contra X por Y”, presente nos manifestos Os que viram a carcaça, esses últimos três versos de Italo – a opção por Eros, pela diferença e por Shiva, contra a caridade, o uniforme e a cruz – talvez procurem nos ensinar uma lição de amor ou ao menos um princípio de delicadeza: devemos bombardear o horizonte através dos nossos sonhos, antes que nos universalizemos no senso comum (recebendo, com isso, os méritos de termos todas as virtudes do mundo, para parafrasear um verso de Paranoia). Lembro que este é um livro escrito durante as Jornadas de Junho de 2013, período em que o país protagonizou uma das maiores manifestações de sua história moderna e também viveu a desilusão de ver suas demandas, seu léxico e suas formas de protesto cooptados pelo senso comum. Italo conseguiu imprimir essa força de insurreição ao escrever um livro que nos mostra que nossa única opção continua sendo afirmarmos a singularidade do nosso desejo, antes que sejamos engolidos pelos afetos higienizados que continuam a ser a regra das relações que nos atravessam.

*

É um desafio gerir o espaço idealizado por Gabriel Kolyniak e pela comissão formada pelos poetas e amigos de Piva, Claudio Willer, Roberto Bicelli e Antonio Fernando de Franceschi, mas a iniciativa, com todas as dificuldades que podem surgir, ainda me parece uma alternativa fundamental para pensarmos acervos de escritores. Por mais que uma instituição renomada talvez tenha melhores condições de preservação das obras, o conjunto e a ambientação se perdem. Um pesquisador ou um leitor entusiasta que irá frequentar a biblioteca depois de sua inauguração poderá transitar entre todas as referências da poesia de Piva sem dificuldade, sentindo que faz parte de uma comunidade. Verdade seja dita, mesmo quem nem sequer se interessa pela poesia de Piva pode se beneficiar com a iniciativa de tornar acessível sua biblioteca. Nas duas horas em que estive com Gabriel, fomos batendo papo, falamos muito sobre Piva, é claro, mas transitamos também por outras tantas leituras em comum, das edições de Bataille e dos surrealistas aos livros de Aleister Crowley, passamos pelas estantes de filosofia, literatura italiana e religiões. A impressão que eu tenho é de que nenhum leitor sairia ileso da forte personalidade que essa biblioteca preserva.

Consultado sobre a manutenção do espaço, Gabriel diz que a ideia é promover cursos e criar um formato de assinaturas em que os colaboradores receberiam como contrapartida publicações com artigos, traduções e inéditos de Piva. O volume Antropofagias e outros escritos foi um dos brindes de quem havia colaborado com o projeto em sua fase inicial quando foi feito um arrecadamento coletivo através do site Catarse. Tal livro pode ser encontrado no site da Editora Córrego, assim como a edição de uma plaquete inédita, Carta aos alunos. Nesses volumes, temos alguns ensaios, poemas inéditos, incluindo uma série de poemas, Pongo Dombo – Mala na mão & asas pretas, cujo subtítulo foi utilizado posteriormente no segundo volume das Obras reunidas da Globo.

Investir em inéditos em livro também foi a opção feita pelos editores da Azougue e da Cozinha Experimental na seleção que compõe o primeiro volume da Coleção Postal. Grande parte dos poemas ali presentes foram publicados em revistas e edições há muito tempo esgotadas, como é caso de San Paulo’s improvisation, estreia de Piva na Antologia dos Novíssimos editada por Massao Ohno, em 1961, ou de Manifesto da poesia xâmanica & bio-alquímica publicado pela primeira vez na Revista Azougue, em 1996.

Há muitos inéditos ainda: todos os poemas lidos por Piva no documentário Antes que eu me esqueça, de Jairo Ferreira, permanecem inéditos em livro, assim como as duas séries completas recuperadas pela pesquisadora Ibriela Bianca Sevilla em sua tese de doutorado, Corações de Hot Dog e Out Door, sem contar o conteúdo, ainda a ser explorado, dos quase 20 cadernos que estão sob os cuidados de Gabriel. Parte desse material, porém, deve interessar apenas aos pesquisadores ou leitores especializados, como é o caso das cadernetas de capa preta que abrigam uma primeira versão do processo de escrita de Piazzas.

Existe um rigor no controle da obra publicada que estaria em franca oposição ao desregramento que Piva protagonizou em vida (ou da imagem excêntrica que ainda prevalece quando pensamos em Piva). Pois, se é verdade que o desregramento era seu modo de viver e discursar sobre a poesia, também é verdade que sua obra publicada em vida é um conjunto orgânico e bem-organizado. Sergio Cohn, no ensaio que integra a coleção Ciranda da Poesia, lembra a experiência de formatação e feitura do Ciclones, a convite do poeta Fabio Weintraub, na editora Nankin: “De um lado, ele sabia da dificuldade que poderia haver em ter outro convite para publicar seus textos; por isso não queria perder a chance de publicar os poemas que considerava importantes. De outro, conversávamos horas a fio sobre a ideia de que um livro precisa ser conciso para se comunicar rapidamente com o leitor” [nota 3]. Piva parecia construir seus livros menos como uma recolha de poemas produzidos no período que precede a publicação do que como projetos bem-estabelecidos e conscientes. Talvez pensasse em livros muitas vezes portáteis para carregar consigo pela cidade, para ler na cama com seus amantes ou levar nas suas viagens à Ilha Comprida ou Mairiporã. Mas essas são apenas hipóteses que sua biografia nos permite elaborar. De todo modo, havia rigor na construção das séries de poemas e seus manuscritos não desmentem a seriedade que tinha em relação à sua obra.

Em uma entrevista realizada por Ademir Assumpção (publicada em livro na série Encontros da Azougue), Piva afirmou que Oswald de Andrade sabia que, quando morre um pajé, morre uma biblioteca viva. O contexto dessa afirmação, ligada à importância dada por Oswald quanto à manutenção da cultura indígena, claramente destoa do que estou prestes a afirmar. Penso que, talvez, entretanto, possamos distorcer a frase de Oswald se acreditarmos que quando uma biblioteca como a de Roberto Piva renasce – principalmente através de cada leitor que atualiza esse legado –, é também um pajé que renasce com ela. É preciso, entretanto, que deixemos de lado o folclore que circunda o autor de Paranoia, para começarmos a efetivamente ler sua obra, buscando compreender como o discurso de um autor sobre sua própria produção pode muitas vezes enfraquecer as leituras que sua poesia proporciona. Seus inéditos e sua biblioteca podem ser elementos de suma importância para sustentar essas leituras que começam a se estabelecer.

 

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[O QUE LER DE] ROBERTO PIVA

Por José Juva

 

José Juva, poeta pernambucano, é autor de Watsu (Cepe Editora, 2016) e de Deixe a visão chegar: a poética xamânica de Roberto Piva (Multifoco, 2012).

Paranoia (1963) – Derivas psicogeográficas pela cidade de São Paulo, permeadas de alucinação, delírio e deboche. Antropofagia das vertigens surrealistas e da dicção beat, uma porrada atrás da outra. Também em diálogo com Federico Garcia Lorca de Um poeta em Nova York.

Coxas (1979) – Adolescentes mágicos do subúrbio, sexo e subversão. Clube Osso & Liberdade. A orgia como fascinante forma de iniciação cósmica. Narrativa em ruptura com a narrativa por uma poética da aventura: a busca do Andrógino Antropocósmico.

Ciclones (1997) – Êxtase e vivência dos lugares de poder, entrega em profundidade às respirações da natureza sagrada. Energias máximas condensadas em grãos e estilhaços de visões. Poesia da viagem xamânica, vida autêntica no encontro com as realidades não humanas do planeta.

 

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NOTAS

[nota 1]. Do livro Os dentes da memória, de Camila Hungria e Renata D’Elia. Editora Azougue, p. 94

[nota 2]. Em O limite da navalha. Editora Garupa, p. 33

[nota 3]. Sergio Cohn. Roberto Piva (Col. Ciranda da Poesia). EdUERJ, p. 59.

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