A literatura contemporânea portuguesa não cessa de dar exemplos da sua força. É o caso do escritor José Luis Peixoto, vencedor do Prêmio José Saramago pelo romance Nenhum olhar (2001), obra seminal sobre o Diabo (ou mesmo “um diabo”) à solta no Alentejo. O escritor retorna agora com Livro, cujo protagonista é justamente o tempo. Não o tempo dos relógios ou do tédio, mas o tempo enquanto matéria-prima da própria vida. Ou como pontua o crítico José Castello, talvez Livro trate do amor “que amarra destinos, acorrentando-os. Talvez trate da saudade, um tema tão português, palavra intraduzível na qual o tempo e o amor deságuam. Creio, porém, que no centro de tudo está o próprio livro — e isso o título do romance já diz com clareza. A literatura como instrumento de captura da memória e produção de destinos”. Independente do tema, vale a pena se aventurar pela sua narrativa sui generis, que parece ter escolhido a concretude do substantivo “livro” como melhor artifício das metáforas.

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