A palavra palimpsesto designa o pergaminho ou papiro cujo texto foi eliminado para permitir a reutilização de um novo. Já dessacralização consiste em devolver às realidades temporais sua autonomia original em relação ao poder religioso. E a dessacralização em arte surge com Duchamp, que a atrai para o fazer comum, tirando do artista a aura de ser especial. Todos estes conceitos estão em jogo quando se fala do novo livro de Jussara Salazar (foto), Carpideiras (mulheres contratadas para chorar e cantar nos velórios do interior nordestino), lançado pela 7 Letras. A autora pernambucana parte de matrizes pesquisadas (cantorias, incelenças, rezas), para, sobre elas e/ou a partir delas, construir seus textos, reinstaurando o sagrado na vida (ou na morte) e na arte. O resultado é estimulante e original.

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