Capas 2018



Diante de tantos lançamentos e tantas discussões que envolvem o objeto livro, eis uma lista das melhores capas de 2018. Este é o terceiro ano que fazemos essa lista. O esquema é o mesmo de sempre: pedimos a nossos designers – Janio Santos, Karina Freitas, Luisa Vasconcelos e Filipe Aca – e nossas colaboradoras mais frequentes – Hana Luzia, Jaine Cintra e Maria Luísa Falcão – que elegessem as melhores de 2018. São elas e eles que pensam a imagem do Pernambuco nas versões impressa, online e redes sociais. O critério é livre.


Filipe Aca

BOX UBU
Box de Homero (Ilíada e Odisseia)
Editora: Ubu
Ilustrações: Odires Mlázho
Comentário: A Ubu tem cada vez mais investido na ideia do livro como um objeto de coleção e de desejo, ele é também um artefato artístico. Isto é reforçado através dessa edição especial limitada com intervenções do artista Odires Mlászho, onde cada exemplar é assinado e numerado e a caixa que abriga os dois livros é feita de acrílico, assim como as redomas que protegem as obras nos museus. As capas conseguem transmitir a imponência e a grandiosidade atribuídas a esse grande clássico literário mundial de uma forma elegante e sóbria, utilizando pouquíssimos elementos gráficos.


Livro.mpbc.melhores2018
Memórias póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
Editora: Carambaia
Capa e projeto gráfico: Tereza Bettinardi
Comentário: Essa é a edição mais linda que já vi para Brás Cubas, a forma de utilização das diferentes tipografias dos títulos dos capítulos, assim como as ilustrações remetem à estética do final do século XIX, período da publicação original. Segundo Tereza Berttinardi, a inspiração para o projeto gráfico veio das inscrições e ornamentos presentes nos túmulos dos cemitérios dessa época.


theadoro theodor
Theadoro Theodor (Laura Erber)
Editora: Quelônio
Capa e projeto gráfico: Sílvia Nastari
Comentário: Um livro produzido como antigamente, a capa com tipos móveis e o miolo em linotipia. A materialidade da palavra é sentida através do relevo que fica no papel após a impressão, isso é o que mais gosto nos livros da Quelônio.


nas profundezas

Nas profundezas (J.-K. Huysmans)
Editora: Carambaia
Capa e projeto gráfico: Lucas Blat
Comentário: A capa possui um ar de sacralidade e pureza, a cor e textura remetem, inclusive, à hóstia servida em celebrações católicas. Porém, tudo isso contrasta com a temática do livro, um romance satanista que, em determinado capítulo, apresenta e descreve rituais baseados em experiências verídicas vividas pelo autor, segundo ele próprio. Assustadoramente lindo.


viagem ao volga.2
Viagem ao Volga (Ahmad Ibn Fadlān)
Editora: Carambaia
Capa e projeto gráfico: Tereza Bettinardi
Comentário: Esse livro se trata de um relato histórico do viajante Ahmad Ibn Fadlān, que no século X participou de uma expedição saindo de Bagdá rumo às terras do Norte. A topografia da região que ele percorreu ilustram a capa desse belíssimo projeto de Tereza Berttinardi.


o sol na cabeca


O sol na cabeça
 (Geovani Martins)
Editora: Companhia das Letras
Capa: Alceu Chiesorin Nunes
Comentário: Do ponto de vista gráfico, acho essa capa muitíssimo interessante e instigante, o “O” gigante junto com as cores quentes te convidam pra ir ver o que está acontecendo ali.




Hana Luzia


Mutarelli capas.18

 

O filho mais velho de Deus e/ou Livro IV (Lourenço Mutarelli)
Editora: Companhia das Letras
Capa: Kiko Farkas / Máquina Estúdio
Comentário: Depois da fotografia, desenho e pintura, Kiko Farkas/Máquina Estúdio continuam com a excelência da Coleção Lourenço Mutarelli através da técnica da colagem de diferentes formas/universos.


Mala quadrada capas.18
Mala quadrada, cabeça quadrada (Eduardo Souza, Gabriela Araújo, Patrícia Vasconcellos)
Editora: Caleidoscópio Edições
Capa e projeto gráfico: Eduardo Souza e Gabriela Araújo
Comentário: Assim como em todo seu miolo, a capa de Mala quadrada, cabeça quadrada é um sólido tríptico de texto, imagem e gesto. O formato triangular e inovador da capa ressalta essa relação e o título estimula uma maior interação com o livro (girando a capa podemos ler o título de formas diferentes).

 Ar Condicionado capas.18


Ar condicionado
(Gustavo Piqueira)
Editora: Veneta
Capa: Gustavo Piqueira (Casa Rex)
Comentário: Ar condicionado desafia os limites da linguagem, na capa (e em todo o livro), na fusão de "texto" e "imagem", endossando o que há pelo menos 50 anos designers/ilustradores/quadrinistas/tipógrafos dizem: texto também é imagem. Obrigada.


Tudo que e belo capas.18


Tudo que é belo (The Moth / Catherine Burns)
Editora: Todavia
Capa: Daniel Trench
Comentário: A capa toma por referência os anos 1970, período das histórias narradas no livro, em uma estética disco-espacial-retrô sensacional.


Pesado demais capas.18

Pesado demais para a ventania (Ricardo Aleixo)
Editora: Todavia
Designer: Daniel Trench
Comentário: Achei muito inteligente, e de uma simplicidade tocante, a relação metafórica da textura de um tecido pesado (jeans, brim, lona?) com o título da obra.



Jaine Cintra



kyra.jaine
Kyra Kyralina
as narrativas de Adrien Zograffi (Panaït Istrati)
Editora: Carambaia
Capa e projeto gráfico: Estúdio Margem
Comentário: Lançado pela Carambaia, tem parte da capa em tecido com gravação em dourado e grafismos que seguem demarcando os capítulos. Para o acabamento interno, a escolha do papel fino e da tipografia em vinho faz lembrar um livro de memórias ou algo meio religioso. Não é fácil de manusear, por causa do tecido da capa e do formato, mas até isto tem seu charme, combina com a vida do personagem principal: momentos de doçura e de rigor na passagem do século XIX para o XX.


hilda
De amor tenho vivido (Hilda Hilst)
Editora: Companhia das Letras
Capa: Elisa von Randow 
Comentário: Livros de poesias geralmente vêm com ilustrações, mesmo que minimamente, e isto é enfadonho. A não ser quando acertam. E a Companhia das Letras acertou no casamento das ilustrações da artista plástica Ana Prata com os poemas de Hilda. Ambas fortes em suas narrativas, sem disputar por atenção. Uma conversa bonita de acompanhar.


funhome
Fun Home – uma tragicomédia em família (Alison Bechdel)
Editora: Todavia
Capa: Ciça Pinheiro 
Comentário: Podem dizer: mas claro que usariam uma ilustraçao para a capa, já que é um livro de quadrinhos. E a graça é esta – quando o designer sabe que tem algo mais forte ali e que é melhor não inventar muito. Vejam com calma esta capa e contracapa. Percebam se não é nesta cena que o resumo acontece. Pai e filha, separados por janelas, que, vistos de fora, estão na mais perfeita “normalidade”. Nas próximas páginas, Alison Bechdel fala da sua complexa relação familiar e de que nem tudo é o que parece ser.


xxxx
Walter Benjamin – os cacos da história (Jeanne Marie Gagnebin)
Editora: n-1 edições 
Capa: Erico Peretta
Comentário: No prefácio diz que este livro foi publicado pela primeira vez em 1982, o mundo era outro, no Brasil, falava-se de novas formas de greves e organizações sindicais. Fala também da importância destes textos, quando muitos pensam que o retorno ao regime daquele ano seria a salvação para a corrupção. Lançado pela n-1 edições, tem na capa uma espécie de funil recortado, por trás, o mar. Uma metáfora interessante sobre a dificuldade de deixar passar o que importa. Claro, esta é uma livre interpretação minha, mas enquanto somos livres, vi poesia nesta imagem.



Janio Santos 

geeklove
Geek love (Katherine Dunn)
Editora: Darkside books
Capa: Retina 78
Comentário: Aqui o termo Geek volta ao seu sentido original: assim eram chamados os artistas de circo que faziam apresentações bizarras no palco, como comer insetos e degolar galinhas vivas. A capa é magnífica, com cores fortes e riqueza de ornamentos, e as ilustrações internas também seguem esse estilo vintage dos cartazes circenses. O belo e o grotesco muito bem ilustrados, compondo um projeto gráfico de alta qualidade.


lincolnnolimbo
Lincoln no limbo (George Saunders)
Editora: Companhia das Letras
Capa: Elisa von Randow
Comentário: A sobreposição de imagens do icônico presidente americano resultam numa figura que, sempre imponente, agora também se vê visivelmente deslocada, perdida. A tipografia manuscrita contrasta bem com os recortes retangulares.


BOX UBU 2
Box de Homero (Ilíada e Odisseia)
Editora: Ubu
Ilustrações: Odires Mlázho
Comentário: Tanto as capas Ilíada e Odisseia quanto o box são ilustradas com belíssimas colagens. A monocromia das estátuas gregas dá o tom e magnitude dos dois clássicos da literatura ocidental, principalmente quando estão dentro da caixa. As iniciais das obras e do autor contrapõem de forma elegante e sutil o peso das ilustrações.


infancia

Infância, adolescência e juventude (Liev Tolstói)
Editora: Todavia
Capa: Pedro Inoue
Comentário: Três novelas de Tolstói em um único volume. Três fases da vida humana condensadas em uma capa minimalista e impactante. O balão de um grito (ou uma estrela?) com traços manuais. Luminoso, instável e por que não explosivo? Assim podemos definir esses três períodos da nossa existência. 


Decameron
O Decamerão (Giovanni Bocaccio)
Editora: Nova Fronteira
Capa: Rafael Nobre
Comentário: As 100 novelas de Boccaccio ganham destaque com cores quentes nas capas e um gigante D ornamentado com detalhes de pinturas medievais, seguindo o estilo de iluminura. Encantadora edição de uma das obras que marcaram o início do período Renascentista.


condenados A vida
Condenados à vida (Raimundo Carrero)
Editora: Cepe
Capa e ilustrações: Hallina Beltrão
Comentário: Tetralogia de Raimundo Carrero, composta por Maçã agreste (1989), Somos pedras que se consomem (1995), O amor não tem bons sentimentos (2008) e Tangolomango (2013). Além da capa, com bela paleta de cores, se destaca também o uso da jaqueta do livro, feita de acetato e com apenas o título e nome do autor, o que valoriza a ilustração feita para a obra.




Karina Freitas



Volga.capas.18

Viagem ao Volga (Ahmad Ibn Fadlān)
Editora: Carambaia
Capa e projeto gráfico: Tereza Bettinardi
Comentário: projeto gráfico impressionante criado por Tereza Bettinardi. A capa, toda impressa com hot stamping holográfico, reflete as cores conforme a incidência da luz e estampa a topografia da região percorrida pelo viajante árabe Ahmad Ibn Adlãn. O livro bilíngue apresenta um relato de viagem do século X e encanta pelo design contemporâneo e minimalista. Acima, a capa e a contracapa. 


Bras.Cubas.capas.18.2

Memórias póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
Editora: Carambaia
Capa e projeto gráfico: Tereza Bettinardi
Comentário: outro projeto de Tereza Bettinardi, este clássico lançado pela Carambaia sem dúvida é uma edição especial produzida para amantes da artes gráficas. Seguindo a linha do defunto-autor, todas as referências estéticas da publicação são inscrições e ornamentos presentes em túmulos do século XIX. A partir daí, a artista Heloisa Etelvina criou gravuras feitas em linóleo impressas na capa e miolo.


Meio.Massagem capas.18

O meio é a massagem (Marshall Mc Luhan/ Quentin Fiore)
Editora: Ubu
Design: Quentin Fiore/ Elaine Ramos
Comentário: Traduz de forma sintética e irônica a teoria de McLuhan de que "o meio é a mensagem". Sem dúvida, uma edição para se ter num momento em que tempo, espaço e fronteiras se redefinem com o uso de novas tecnologias.


Novello.capas.18
O universo inacabado (Mario Novello)
Editora: n-1 edições
Capa: Érico Peretta
Comentário: criado pelo designer Érico Peretta o projeto gráfico de O universo inacabado é sutil, inteligente e minimal. As perfurações na capa criam um efeito vazado de estrelas e dialogam com a teoria da Cosmologia, tema central do livro.


O pai da menina morta capas.18

O pai da menina morta
(Tiago Ferro)
Editora: Todavia
Capa: Julia Masagão e Matheus Sakita
Cometário: de Julia Masagão e Matheus Sakita, a capa de O pai da menina morta é uma bela composição tipográfica para um livro de ficção que reflete perda, ausência e memória. Da dificuldade compor uma dor e transformá-la em linguagem, a capa estampa o título do livro que se reproduz de forma infinita. Um solução simples, elegante, potente.



Luísa Vasconcelos


Macunaima.capas.2018
Macunaíma, o herói sem nenhum caráter (Mario de Andrade)
Editora: Ubu 
Ilustração: Luiz Zerbini sobre foto de Pat Kilgore
Comentário: por muito tempo, essa história representou o povo brasileiro, além de ser uma grande realização da literatura da antropofagia. A capa e as ilustrações são do artista Luiz Zerbini, usando monotipias com a própria vegetação tropical, entitada e colocada na prensa. 


Darwin.capas.18

A origem das espécies (Charles Darwin)
Editora: Ubu
Capa: design de Elaine Ramos, ilustração de Alex Cerveny
Comentário: na sua primeira edição em 1859, esse livro mudou para sempre o modo de como entendemos os seres humanos e o mundo em nossa volta. A capa conta com impressão em duas cores, bordas arrendondadas e ilustrações manuais de Alex Cerveny.


De Novo capas.18

De novo (Gustavo Piqueira)
Editora: Lote 42
Capa e projeto gráfico: Gustavo Piqueira
Comentário: o livro mistura fotografia, ilustração, colagem, diálogo, cor e texto. O projeto gráfico é embaralhado, as páginas anteriores dialogam com as que vem. O livro tem 6 cadernos, cada qual com uma capa, e uma folha-capa, todos unidos em uma bolsa de plástico bolha e sob o design do autor, Gustavo Piqueira. 


Na outra margem o leviata.capa.2018

Na outra margem, o Leviatã (Cristhiano Aguiar)
Editora: Lote 42
Capa: Casa Rex
Comentário: o livro conta a história de personagens diversos no Brasil, entre São Paulo e a Paraíba, tomando como temas a política, a arte, a frustração e um pouco do delírio. A capa foi criada plea Casa Rex e fala tudo com poucas palavras, cores chapadas e formas simples.


Homero.3.capas.18 
Box de Homero (Ilíada e Odisseia)
Editora: Ubu
Ilustrações: Odires Mlázho
Comentário: Dois dos maiores clássicos da literatura ocidental com roupagem que mistura colagem e tipografia.

 



Maria Luisa Falcão


meio e a massagem
O meio é a massagem
 (Marshall Mc Luhan/ Quentin Fiore)
Editora: Ubu
Design: Quentin Fiore/ Elaine Ramos 
Comentário: Essa é uma reedição desse clássico da comunicação que sintetiza as ideias de McLuhan no design de Fiore. Não tem como considerar só a capa, já que o projeto gráfico inteiro é completíssimo, muito unido e inovador.


Hijikata
Hijikata Tatsumi: pensar um corpo esgotado (Kuniichi Uno)
Editora: n-1 edições
Capa: Érico Peretta
Comentário: Gosto muito das edições da n-1 por brincarem com a materialidade do livro, e explorar as ferramentas além do papel. O recorte e a escolha de materiais na capa lida muito com relações de liberdade, gestos e movimentos do corpo.


urutau 1
Fui olhar a rua e outros poemas (Pasquale Gliosci)
Editora: Urutau
Design: Editora Urutau
Comentário: Geralmente de poesia, os livros da Urutau são sempre belíssimos e dotados de sensibilidade. É interessante como a capa explora muito o lado manual da ilustração. 


Valter Hugo Mae
O paraíso são os outros (Valter Hugo Mãe)
Editora: Biblioteca Azul
Capa: Bloco Gráfico
Comentário: Mais uma capa lindíssima para as edições de Valter Hugo Mãe do selo Biblioteca Azul. As ilustrações são do próprio autor, e o uso do dourado na capa e lateral das páginas traz um detalhe muito especial pra esse exemplar.


fractais tropicais
Fractais tropicais (org. de Nelson Oliveira)
Editora: Sesi-SP
Capa: Estúdio Margem
Comentário: Livro récem-lançado, onde a capa pega muito da inspiração tecnológica e de contemplação do universo na utilização de textura holográfica. A composição tipográfica e o próprio grid exploram também questões matemáticas. Acima, a capa aberta do livro (capa, contracapa, lombada e orelhas).

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